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DAVID VALENTE
MÚSICO COM OS PÉS

   
 

Novo Horizonte, Estado de São Paulo, 08 de janeiro de 1952: foi ali, naquele instante, que  eu, Gonçalo, nasci, tendo como paisagem de fundo a fazenda onde meus pais trabalhavam.
Contando todos, éramos seis: mamãe, meu pai, meus dois irmãos, eu e vovó. Aliás, foi ela, vovó, quem fez meu parto. Um susto que não esqueceu nunca!

De repente, olha um bebê vindo ao mundo com as pernas para cima dos ombros e, entre elas, os braços! Uma maneira original de nascer, que ficou marcada em sua memória até o fim da vida. E foi numa casa de pau a pique, sem nenhum recurso hospitalar...Mas eu já estava aqui, no planeta, e não pretendia deixar cair a peteca só por causa de alguns detalhes de design genético.

E não deixei. Desde cedo, minhas artes começaram, em todos os sentidos.
Talvez com medo de me deixarem sozinho enquanto davam duro na roça, meus pais me levavam com eles para o trabalho. E foi lá, esperando que terminassem o serviço, que aconteceram minhas primeiras tentativas de trocar literalmente as mãos pelos pés, que usava para abrir garrafas de água ou café.

Orientados por alguém, meus pais vieram para São Paulo, a capital, buscar ajuda para meu caso no Hospital das Clínicas. Não foi fácil. De repente, virei matéria de estudo, passando por vários exames de saúde física e até por testes psicológicos, talvez para verificar meu estado emocional, que na verdade sempre foi, por paradoxal que seja, simplesmente ótimo. Lá, me submeti também a uma cirurgia no braço esquerdo, próximo à região do cotovelo, visando facilitar movimentos. Facilitou mesmo!
Como isso tudo demandava tempo, junto comigo veio toda família. Éramos agora, habitantes da cidade grande, vivendo numa casa que meu pai alugou no bairro da Penha.

Aos 5 anos – comunicação sempre foi meu forte - eu já tinha muitos amigos.
O quintal de nossa casa era grande, havia muitas famílias nas proximidades e, consequentemente, crianças também.
Eu gostava de ficar na rua de pés descalços, brincando de carrinho, bolinha de gude, empinar pipa, soltar balões... O que, devido a minha deficiência nos braços, eu fazia ou com a boca ou com os pés. Foi nessa época que, pelo mesmo método, comecei a desenhar e a pintar na rua.

Continua



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